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Jornal Folha de São Paulo | 21/02/2011

Jogos eletrônicos estimulam pacientes a se dedicar mais aos exercícios de recuperação física e mental

GUILHERME GENESTRETI
DE SÃO PAULO

O videogame já foi inimigo da saúde, culpado por obesidade, sedentarismo e até por incentivar a violência. Mas alguns hospitais notaram que ele pode ajudar a recuperar desde lesões na medula até transtornos do impulso.

Foi o caso de um hospital de Barcelona, na Espanha, que desenvolveu o jogo “Islands”, para tratar pessoas com comportamentos compulsivos, como vício em jogos e distúrbios alimentares.

Sensores captam as reações fisiológicas do jogador e ele só prossegue se agir com autocontrole diante dos desafios propostos no jogo.

No Brasil, a rede Lucy Montoro, ligada à Secretaria Estadual de Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, tem uma proposta similar, mas voltada a quem tem problemas motores.
Na unidade da Vila Mariana, fisioterapeutas usam jogos como “Wii Fit” “Wii Sports” como complemento da terapia tradicional em pacientes com derrame.
Os jogos, para Nintendo Wii, são vendidos para o público geral, mas os médicos notaram que as tarefas exigidas, como se equilibrar e executar posições de ioga, podem ser terapêuticas.

ESTÍMULO

“No Wii, os pacientes vêm mais interessados em participar da terapia”, diz o fisioterapeuta Pedro de Castro.
Na unidade do Morumbi, a terapia ocupacional atende 2.000 pacientes por mês, muitos deles com jogos.
O “Eye Toy”, do Play Station 2, é um deles. A câmera registra a imagem do jogador e a projeta no monitor. Ele mexe os braços para defender o gol ou montar um sanduíche, dependendo do jogo.
“Na terapia tradicional, a pessoa passa bolinhas de um lado para o outro dez vezes, fica cansada. No videogame, ela executa as tarefas sem perceber”, diz Thaís Terranova, terapeuta ocupacional.
Ela afirma, contudo, que os jogos não substituem os métodos tradicionais. Habilidades como as que exigem relaxamento dos músculos ou contato físico entre médico e paciente não são supridas na realidade virtual. Jogos para recuperar funções mentais também têm limitações. O “Brain Age”, para Nintendo DS, tem como base o livro “60 Dias para Aumentar o Poder da sua Mente”, do neurocientista japonês Ryuta Kawashima. Ele defende que exercícios diários de raciocínio e memória melhoram o desempenho cerebral.

Para Sônia Brucki, da Academia Brasileira de Neurologia, só o game não basta. “ É necessário diversificar as atividades, socializar e praticar exercícios físicos para fortalecer a atividade cognitiva.”
GOLEIRO
Leandro Simioni, 36, ex-jogador de futebol profissional em times da Alemanha e de Israel, sofreu um acidente de moto no começo de dezembro e ficou sem movimentos nas pernas. Antes atacante, ele assumiu o papel de goleiro no videogame.
Internado na unidade do Morumbi do Lucy Montoro, ele testou o equipamento Eye Toy na última sexta-feira.
Seu objetivo era defender bolas e melhorar a mobilidade do tronco. “Nem percebi que estava na terapia, de tão concentrado nos pontos.”

Fontes: ARTHUR PROTASIO, coordenador do Game Studies da FGV-Rio; SONIA BRUCKI, neurologista, CLÁUDIO GALVÃO DE CASTRO JUNIOR, oncologista; MARCOS DUARTE, professor de educação física da USP

Game Terapia: Jogos eletrônicos estimulam pacientes a se dedicar mais aos exercícios de recuperação física e mental (Download da versão completa em pdf)

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