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Das páginas dos livros para as telas e controles – Metro 2033 e série The Witcher

Das páginas dos livros para as telas e controles – Metro 2033 e série The Witcher

The Witcher - Livro e Jogo

O lançamento do jogo “Metro: Last Light”, marcado para o dia 16 de maio, abre espaço para uma interessante discussão  a de que livros, que por suas próprias qualidades narrativas e literárias, inspiram a produção de jogos eletrônicos a partir de adaptaçõe. O Metro: Last Light é a sequência do jogo Metro 2033, que é inspirado por sua vez no romance russo homônimo de ficção científica pós-apocalíptica, escrito por Dmitry Glukhovsky.

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Sempre bom ter uma shotgun e matar mutantes da radiação

O livro Metro 2033 foi lançado no ano de 2005 na Rússia, onde vendeu mais de 500 mil cópias. Contudo, sua notoriedade e sucesso vieram bem antes de sua publicação: o livro começou a ser escrito por Dmitry em 2002 na internet, como uma espécie de projeto interativo, com forte participação dos leitores. O autor ia publicando o livro em seu site à medida que este era escrito, e, simultaneamente, os leitores faziam comentários livres e davam feedback ao autor. A proposta fez bastante sucesso, conquistando milhares de fãs ao redor do mundo e, antes mesmo da publicação física, ele já fora lido por mais de 2 milhões de pessoas.

Edição brasileira do livro, lançada pela editora planeta em 2010

Edição brasileira do livro, lançada pela editora planeta em 2010

Resumidamente, a premissa do livro é: de que no ano 2033, na cidade de Moscou, os seres humanos sobreviventes à catástrofe nuclear de 2013  vivem no amplo complexo dos túneis de metrô. Essa é a única forma de garantirem sua sobrevivência neste mundo pós-apocalíptico e se proteger dos perigos da superfície, que incluem o ar tóxico contaminado de radiação e monstros mutantes surgidos como conseqüência das bombas nucleares.

O jogo Metro 2033 foi lançado em maio de 2010 como jogo de tiro em primeira pessoa, com uma ambientação bastante envolvente, e teve uma aceitação positiva no mercado. Sua avaliação crítica também foi bem favorável e, a título de exemplo, recebeu uma avaliação de 81 de 100 no site metacritic.

Outro jogo que teve um processo bastante similar de inspiração em obra literária é  The Witcher, um RPG de fantasia medieval de 2007, que deu origem à sequência The Wicher 2: Assassins of Kings, do ano de 2011. Os dois também fizeram bastante sucesso, o que é evidenciado pelo fato do 3º game, o The Witcher 3: The Wild Hunt, estar anunciado para 2014.

Edição em língua inglesa da primera coletânea de contos

Edição em língua inglesa da primera coletânea de contos

Todos eles são inspirados na série polonesa de livros de fantasia medieval “The Witcher, escritos por Andrzej Sapkowski, de muito sucesso na Polônia, Rússia e outros países da Europa Oriental.

A série contém um universo próprio bastante vasto, com 2 livros de coletâneas de contos, e 5 romances que seguem uma saga épica de fantasia com a mesma linha narrativa. O conto que deu origem à série, chamado de “The Witcher”, foi publicado em 1986 numa revista literária polonesa de ficção científica e fantasia. Desde então, vieram muitos outros contos, e os 5 livros da saga foram escritos entre 1994 e 1999. A série teve ainda um filme em 2001, chamado “The Hexer”, e uma série polonesa para televisão em 2002. Ambos receberam, no geral, muitas críticas negativas negativas (o filme tem a nota de 3,3 no Internet Movie Dabase), e definitivamente, não foram eles que motivaram a criação dos jogos.

Esses casos são muito interessantes por 2 motivos: a) são fenômenos diferentes dos outros jogos baseados em livros; e b) o contexto deles e a relação livro-jogo ser bem similar.

Temos aqui um caso diferente da maioria dos outros jogos baseados em livros, que são ou de uma literatura clássica e consagrada, ou são motivados mais pela prévia transformação desses livros em filmes ou seriados. No primeiro cenário temos, por exemplo, os vários jogos baseados nos livros da série Sherlock Holmes (série “The Adventures of Sherlock Holmes”, com 8 títulos), nos livros de Agatha Christie (com 4 jogos, o primeiro chamado “Agatha Christie: And Them There Was None), ou o “Alice: The Madness Returns”, inspirado no clássico de Lewis Carrol. No segundo cenário, temos os livros que só viraram jogos porque viraram filmes antes, ou então séries tão grandes que estão em todas as mídias, como os jogos de Senhor dos Anéis (“The Battle for the Middle Earth 1” & 2, Lord of the Rings Online, etc.) ou da série Game of Thrones (o RPG “Game of Thronese o jogo de estratégia  “Game of Thrones: Genesis).

Screenshot de The Witcher 2

Screenshot de The Witcher 2 – Gerald of Rivia indo para a taberna

Já nos casos de Metro 2033 e The Witcher, o que temos são 2 séries recentes de livros, escritas contemporaneamente, que vieram de cenas fora do grande circuito de produção de mídias culturais para o grande público (Polônia e Rússia). Em ambos os casos, já havia uma comunidade bem forte de fãs, principalmente em âmbito local. Bem como, dois casos, o destaque e a repercussão do jogo de videogame expandiu muito o público dos próprios livros, para áreas ao redor do mundo que não eram alcançadas antes; por exemplo, Metro 2033, o livro, teve sua versão em inglês lançada em maio de 2010, juntamente com o jogo.

Ou seja, estamos  diante de um novo fenômeno onde produtos de boa qualidade literária, inspirados pela cultura e folclore locais, servem de inspiração para jogos de boa qualidade, que por sua vez dão proeminência internacional para as obras originais

Há também outro assunto também bastante instigante na relação entre livros e jogos, bem forte no exterior, e que agora se consolidou com bastante força no mercado editorial brasileiro: o caminho inverso, o dos livros baseados em jogos! Mas este já é outro debate…

Em breve, novo posto com mais informações sobre as séries Metro 2033 e The Witcher e o enredo de cada universo!

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Discussão

Um comentário sobre “Das páginas dos livros para as telas e controles – Metro 2033 e série The Witcher

  1. Se você pensar em jogos eletrônicos, os livros baseados neles podem ser novidade (aliás, exemplos? Pensei em WoW…). No entanto, em se tratando de jogos em geral, os analógicos inclusive, isso já acontece no Brasil e no mundo há muito tempo. Magic: The Gathering é um bom exemplo. Um dos primeiros livros, e mais marcantes, que li na vida foi “A Floresta Murmurante”, que se passava no universo do card game.

    Publicado por Walter Britto | maio 17, 2013, 10:31 pm

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